
Quanto cobrar para passar roupa: o preço de cada peça pelo tempo no ferro
Vitor Freitas, CTO do Liahub7 min de leitura
A pergunta chega no primeiro dia de qualquer passadoria: “quanto é a camisa?”. E a resposta, quase sempre, vem de fora: do preço que a vizinha cobra, da passadoria do outro bairro, de um número visto num grupo de mensagens.
O problema é que o preço de outra passadoria foi feito para o aluguel dela, para as horas dela e para a velocidade de quem passa lá. Copiar o número é copiar a conta de outra pessoa sem saber se ela fecha. Existe um jeito mais firme de chegar ao preço, e ele parte de uma coisa que só você sabe: quanto tempo cada peça leva na sua mesa.
Passadoria vende tempo
Na lavanderia, a máquina lava enquanto a equipe faz outra coisa. Na passadoria, enquanto uma camisa está no ferro, nenhuma outra está. O que o cliente paga são os minutos de alguém com a peça na tábua, mais o cabide e a capa da entrega.
Isso muda a pergunta. Em vez de “quanto vale uma camisa passada?”, a pergunta certa é “quanto vale um minuto do meu trabalho?”. Com essa resposta, qualquer peça tem preço — inclusive a que nunca apareceu no balcão.
A hora de ferro não é o dia de trabalho
O valor da hora sai de uma conta simples: some quanto você quer tirar por mês com os custos fixos do negócio e divida pelas horas que você passa roupa. A armadilha está na última parte.
Quem trabalha oito horas por dia, vinte e dois dias por mês, tende a dividir por 176 horas. Mas o dia da passadoria não é todo de ferro. Tem cliente para atender no balcão, roupa para receber e conferir, peça para embalar, mensagem para responder, entrega para separar. Nada disso está dentro de nenhuma camisa, e mesmo assim toma o dia.
Veja o tamanho da diferença com o exemplo da calculadora. Quem quer tirar R$ 2.500 por mês e paga R$ 1.500 de custos fixos precisa cobrir R$ 4.000. Dividindo por 120 horas de ferro de verdade — seis horas por dia, vinte dias —, a hora vale R$ 33,33. Dividindo pelas 176 horas do expediente inteiro, ela cai para R$ 22,73. Com a mesma camisa, a primeira conta chega a R$ 4,85 e a segunda, a R$ 3,51. A segunda parece mais competitiva, mas deixa sem pagamento todas as horas que não são de ferro — e o fim do mês mostra isso.
Se você não sabe quantas horas passa de verdade, anote por uma semana. Marque só o tempo com a peça na mesa. O número costuma surpreender.
Cronometre as peças que mais chegam
O segundo número da conta é o tempo de cada peça, e ele também é seu. Ferro, tábua, prática e até o tecido mudam o resultado.
Comece pelas peças que mais entram: camisa social, calça, camiseta, lençol. Cronometre cada uma três vezes, do momento em que pega a peça até pendurá-la no cabide, e use a média. As peças raras podem esperar até aparecerem. O que importa é que o preço das peças que pagam o mês saia de um tempo medido, e não de um palpite.
A conta da camisa, passo a passo
Com os dois números em mãos, a conta fica assim. A hora vale R$ 33,33. Uma camisa que leva 6 minutos usa um décimo dessa hora, R$ 3,33. Somando R$ 0,50 de cabide e capa, a camisa custa R$ 3,83 para você.
Falta o imposto e o lucro, e aqui mora o erro mais comum: os dois são porcentagem do preço, e não do custo. Quem faz “custo mais 20%” acredita que tem 20% de lucro e não tem, porque o imposto é cobrado sobre a venda inteira. O certo é dividir o custo pelo que sobra do preço depois do imposto e do lucro. Com 6% de imposto e 15% de lucro, sobram 79% do preço: R$ 3,83 dividido por 0,79 dá R$ 4,85 a camisa.
Esse é o preço que paga o seu tempo, o cabide, o imposto e ainda deixa os 15% que você escolheu. A calculadora de preço para passar roupa faz essa conta com os seus números: é só trocar renda, custos, horas, minutos e porcentagens.
Preço mínimo: a linha que não se cruza
A mesma conta, sem o lucro, mostra o preço mínimo. É o custo dividido só pelo que sobra depois do imposto: R$ 3,83 dividido por 0,94 dá R$ 4,08. Abaixo disso, você passa a camisa de graça — ou pior, paga para passar.
O preço mínimo é o número mais útil na hora de negociar. Quando um cliente pede desconto, ou uma empresa oferece volume em troca de preço menor, você sabe até onde pode ir. Entre R$ 4,08 e R$ 4,85 está a sua margem de manobra; abaixo de R$ 4,08 não existe negócio, existe prejuízo com hora marcada.
As outras peças: mesma conta, outro tempo
O que muda de uma peça para outra é só o tempo. Os exemplos abaixo usam as mesmas premissas da camisa e servem para mostrar o efeito dos minutos — os tempos são hipotéticos, e os seus vão sair do seu cronômetro.
Uma peça que leve 4 minutos custa R$ 2,72, tem preço mínimo de R$ 2,90 e preço sugerido de R$ 3,45. Uma que leve 10 minutos custa R$ 6,06, com mínimo de R$ 6,44 e sugerido de R$ 7,67. Uma de 15 minutos, como pode ser um vestido com mais detalhes, custa R$ 8,83, com mínimo de R$ 9,40 e sugerido de R$ 11,18.
Repare que a peça de 15 minutos não sai só “um pouco mais cara” que a camisa: sai mais que o dobro. É o que a tabela copiada esconde. Quando o preço não acompanha o tempo, as peças demoradas são pagas pelas rápidas, e quem traz muita peça demorada fica com o melhor negócio da casa.
Cesto e pacote: calcule a partir da peça
Muita passadoria vende por cesto ou por pacote de peças. Tudo bem — desde que o pacote saia do preço por peça, e não o contrário.
A conta é direta. Um pacote de 15 camisas, pelo preço sugerido, soma R$ 72,75. Pelo preço mínimo, soma R$ 61,20. Qualquer valor entre os dois ainda deixa algum lucro; abaixo de R$ 61,20, o pacote dá prejuízo. Em outras palavras, o desconto do pacote sai da sua margem, e você sabe até onde ele pode ir: neste exemplo, pouco menos de 16%, e nesse ponto você passa as camisas sem ganhar nada.
Se o cesto mistura peças, a lógica é a mesma: some o preço de cada tipo de peça que costuma vir nele, e só então decida o desconto. Pacote montado no chute tende a ficar barato justamente nas peças que mais demoram.
MEI: o DAS vai nos custos fixos
Quem é MEI não paga imposto como porcentagem da venda: paga um valor fixo por mês, o DAS. Na conta, isso se resolve assim: coloque 0% no campo de imposto e some o DAS aos custos fixos do mês.
No exemplo da camisa, se os R$ 1.500 de custos fixos já incluírem o DAS, o preço mínimo passa a ser o próprio custo, R$ 3,83, e o preço com 15% de lucro fica em R$ 4,51. A conta continua certa, só que o imposto entra pela porta dos custos fixos, e não pela do preço.
Do preço certo ao balcão
Calcular é a primeira metade. A segunda é cobrar igual todo dia, com qualquer pessoa no balcão, e devolver cada peça para o dono certo.
No sistema para passadoria do Liahub, cada serviço do catálogo tem a sua unidade e o seu preço, então camisa, calça, lençol e terno ficam com os valores que você calculou — e quem também lava pode ter itens por quilo no mesmo catálogo. A peça recebe na entrada a etiqueta com o número do pedido e o nome do cliente, e na retirada a leitura do código de barras da via do pedido dá baixa no pedido certo, para que a camisa branca de um cliente não vá parar na sacola de outro. Quando a roupa fica pronta, o cliente pode receber o aviso no WhatsApp, com o texto que você mesmo escreve.
Se a sua passadoria também lava, a calculadora de preço do quilo para lavanderia faz a conta da lavagem; somando as duas, você chega ao preço da peça lavada e passada.
Veja em vídeo · 16 sQuanto cobrar para passar uma camisaAs telas do sistema mostrando o que este texto explica.Quer ver como o Liahub funciona pro seu negócio?Conheça o Liahub, veja os planos e preçosou fale com a gente no WhatsApp.