
Quanto cobrar por ajuste de roupa: o valor da hora da costureira
Vitor Freitas, CTO do Liahub7 min de leitura
A cliente chega com a calça na mão, dobra a barra no balcão e pergunta: “quanto fica?”. A costureira olha a peça, pensa no que a vizinha cobra, lembra do que cobrou da última vez e diz um número. A cliente aceita, e ninguém sabe se aquele número pagou alguma coisa além da linha.
É assim que muita costureira define preço: olhando para fora. Só que o preço da vizinha foi feito com o aluguel dela, as horas dela e o que ela precisa levar para casa. Nenhuma dessas contas é a sua. Existe um jeito de chegar no preço olhando para dentro, e ele começa por uma pergunta simples: quanto vale uma hora sua na máquina?
O que você vende é tempo
Ajuste de roupa é mão de obra. O material entra — linha, um zíper, um pedaço de entretela —, mas o que pesa no preço é o tempo que a peça passa nas suas mãos. Por isso a conta certa não é por tabela, é por minuto.
Para saber quanto vale o minuto, some duas coisas: quanto você quer ganhar por mês, livre, e quanto o ateliê custa por mês, trabalhando ou não. Divida pelo número de horas que você costura de verdade. Esse é o valor da sua hora.
No exemplo da calculadora de preço de costura que deixamos aberta no site, a costureira quer ganhar R$ 3.000 por mês e tem R$ 800 de custos fixos: aluguel, energia, internet, manutenção da máquina, sistema. Ela precisa faturar R$ 3.800. Se costura 120 horas no mês, cada hora vale R$ 31,67.
Hora de costura não é dia de trabalho
As 120 horas do exemplo saem de 6 horas por dia, 20 dias no mês. E aí vem a objeção mais comum: “mas eu fico 8, 9 horas no ateliê”. Fica. Só que nem todas essas horas estão costurando.
Uma parte do dia vai para atender quem entra, tirar medida, fazer prova, responder mensagem, passar orçamento, ir comprar aviamento que acabou, arrumar a bancada. Tudo isso é trabalho, mas nenhuma dessas horas está dentro de uma peça.
Se você divide o mês pelas horas que fica no ateliê, e não pelas horas que fica na máquina, a hora sai barata demais. Faça a conta com os mesmos números do exemplo, trocando 120 por 160 horas: a hora cai para R$ 23,75, e o serviço de 30 minutos, que deveria sair por R$ 19,81, sai por R$ 15,42. São R$ 4,39 a menos em cada serviço — e ao fim do mês a diferença aparece como “trabalhei muito e sobrou pouco”.
As horas fora da máquina não somem: elas são pagas pelas horas dentro dela. É por isso que a conta usa só o tempo produzindo.
Cronometre os seus serviços
O segundo número da conta é quanto tempo cada serviço leva. Aqui o palpite costuma errar para menos, porque a gente lembra do tempo da costura e esquece do resto: descosturar, marcar, alfinetar, provar de novo, passar a peça pronta.
A saída é cronometrar. Escolha os serviços que mais aparecem no seu balcão — barra, ajuste de cintura, troca de zíper — e marque o tempo de três vezes cada um, do primeiro ponto desfeito à peça passada e dobrada. A média das três é o número que vai na conta.
A conta inteira, com os números do exemplo
Com a hora em R$ 31,67, um serviço de 30 minutos usa meia hora de trabalho: R$ 15,83. Somando R$ 2 de linha e aviamento, ele custa R$ 17,83 para a costureira.
Esse é o preço mínimo. Abaixo dele, você trabalha de graça naquele serviço — ou, pior, paga para trabalhar, porque o aluguel e a energia já estavam dentro da hora.
Em cima do custo entra a folga. No exemplo, 10%. Ela existe para o que não aparece em conta nenhuma: a peça que volta para retoque, a cliente que nunca vem buscar, o mês fraco. Com 10% de folga, o preço sugerido fica em R$ 19,81.
Um detalhe que a calculadora já resolve: a folga é uma parte do preço, e não um acréscimo sobre o custo. Por isso a conta é R$ 17,83 dividido por 0,90, e não R$ 17,83 vezes 1,10. Do segundo jeito o preço daria R$ 19,61, e a folga de verdade ficaria abaixo dos 10% que você pretendia guardar.
Barra, zíper e cintura: o mesmo raciocínio
Para mostrar como a conta muda com o tempo, aqui vão três serviços com a mesma hora de R$ 31,67 e a mesma folga de 10%. Os minutos e o material abaixo são exemplo, não referência: cada costureira tem o seu ritmo, a sua máquina e o seu tipo de cliente, e é o seu cronômetro que vale.
Uma barra simples que leve 20 minutos e use R$ 1 de linha custa R$ 11,56 e sai por R$ 12,84.
Uma troca de zíper que leve 40 minutos, com um zíper de R$ 6, custa R$ 27,11 e sai por R$ 30,12.
Um ajuste de cintura que leve 50 minutos e use R$ 1 de material custa R$ 27,39 e sai por R$ 30,43.
O zíper e a cintura terminam quase no mesmo preço por caminhos diferentes: um pesa no material, o outro no tempo.
E por que não publicar aqui uma tabela de “quanto se cobra no mercado”? Porque não existe fonte séria para ela. O preço de uma barra muda de bairro para bairro e de cidade para cidade, e uma tabela inventada seria número sem lastro. O que vale em qualquer lugar é a sua hora.
E se você for MEI
O MEI paga o imposto num valor fixo por mês, o DAS, e não como porcentagem de cada venda. Então, na conta, o imposto sobre o serviço fica em 0%, e o valor do DAS entra junto com os custos fixos do mês. O imposto continua pago, só que dentro da hora, e não em cima do preço. Quem paga percentual sobre a nota põe esse percentual no campo de imposto, e a calculadora o desconta do preço como faz com a folga.
“Ficou caro”: o que fazer quando o preço assusta
Às vezes a conta mostra um preço acima do que se cobra por perto. Antes de baixar, olhe os dois números que mais mexem no resultado.
O primeiro é o tempo de cada serviço. Uma barra que leva 35 minutos porque a máquina está desregulada ou porque a bancada está desorganizada é um problema de processo, não de preço.
O segundo são as horas de costura do mês. Se você só consegue costurar 90 horas porque o resto do dia vai embora em recado, orçamento refeito e cliente perguntando se a peça ficou pronta, a sua hora encarece — no exemplo, ela passaria para R$ 42,22. Nesse caso, o que está caro não é o seu trabalho: é o tempo que você perde fora da máquina.
Onde o sistema entra
Ter o valor da hora é metade do caminho. A outra metade é não perder tempo repassando esse preço peça por peça.
No Liahub, cada serviço do catálogo tem a sua unidade e o seu preço. A barra, a troca de zíper e o ajuste de cintura ficam cadastrados com o valor que saiu da sua conta, e o orçamento já nasce com esse preço, igual para toda cliente, sem depender de memória.
O orçamento que a cliente aprova e a ordem de serviço que vai para a bancada são impressões do mesmo pedido. Ninguém redigita nada quando ela diz “pode fazer”, e os dois documentos não têm como divergir. O texto sobre o fluxo de pedidos no ateliê de costura mostra esse caminho do começo ao fim.
E a pergunta “minha peça ficou pronta?”, que tira tanta costureira da máquina, pode deixar de chegar: cada mudança de situação do pedido — aprovado, em preparo, pronto para retirar — pode disparar uma mensagem no WhatsApp da cliente, com o texto que você escrever. O WhatsApp é contratado à parte, dentro do sistema, e funciona em qualquer plano.
Faça a sua conta na calculadora, cronometre os serviços da semana e veja como o sistema para ateliê de costura guarda esses preços e devolve o tempo que hoje vai embora fora da máquina.
Quer ver como o Liahub funciona pro seu negócio?Conheça o Liahub, veja os planos e preçosou fale com a gente no WhatsApp.